Como validar a ideia de um e-book antes de escrever uma página

Como validar a ideia de um e-book antes de escrever uma página

Você teve a ideia de um e-book (um livro digital, em PDF), abriu o editor de texto e passou três semanas escrevendo. Ao publicar, ninguém comprou, e você não sabe se o erro foi o tema, o título ou o público.

Dá para descobrir isso antes de escrever a primeira página, sem gastar um real. O caminho é validar a ideia, ou seja, testar se ela tem público antes de produzir. Na prática, você conversa com 10 pessoas que poderiam comprar o seu e-book e anota o que elas dizem.

Nos passos abaixo, você monta as perguntas certas, escolhe as 10 pessoas, faz a conversa pelo WhatsApp e decide se segue em frente. Isso não serve para quem quer garantia de venda: nenhum teste dá isso. Ele só diminui o risco de você trabalhar à toa.

O que você precisa antes de começar

Três coisas que você provavelmente já tem:

  • Seu celular com WhatsApp.
  • Um caderno ou o bloco de notas do celular.
  • Uma hora livre por dia, durante alguns dias.

Você também precisa de uma ideia, ainda que crua. Por exemplo: “um e-book com cardápios de marmita para quem trabalha fora e quer gastar menos”. Essa frase tem um assunto, um público e uma dor. Sem as três, o teste não funciona.

Se a sua ideia ainda não tem público definido, o ajuste está no nicho, o assunto específico em que você vai focar. O curso Fórmula Negócio Online, do Alex Vargas tem um módulo de mercados e nichos e outro sobre a estrutura de um negócio online (link de afiliado).

Pense no teste como a degustação do supermercado: você descobre se a pessoa gosta do sabor antes de fabricar o pacote inteiro.

Passo a passo para testar a ideia com 10 pessoas

O Sebrae PR resume bem o motivo: a validação serve para evitar desperdício de tempo, esforço e recursos. Um dos passos que ele indica é consultar possíveis clientes para saber se existe demanda. É isso que você vai fazer.

  1. Escreva a ideia em uma frase: “Um e-book que ensina [público] a [resolver tal problema]”. Se a frase ficou longa, a ideia está confusa.
  2. Liste 10 pessoas que têm esse problema. Pense em colegas de trabalho, vizinhos, gente de grupos de WhatsApp ou de comunidades sobre o assunto. Quanto mais parecida com o seu público, melhor.
  3. Chame uma por uma para uma conversa curta. Mande uma mensagem pedindo dez minutos de opinião. Não mencione o e-book nem tente vender nada ainda.
  4. Pergunte sobre o problema, não sobre a sua ideia. Use as perguntas da próxima seção.
  5. Anote as respostas no mesmo dia, com as palavras da própria pessoa. Elas viram o título e a descrição do seu e-book mais tarde.
  6. Só no fim, apresente a ideia. Pergunte quanto ela acharia justo pagar e se quer receber uma amostra quando ficar pronta.
Homem de uns 55 anos ao telefone anotando num caderninho, sentado no fundo de uma loja de bairro

Atenção: se as 10 pessoas forem amigos próximos, a resposta tende a ser gentil demais. Misture conhecidos distantes ou desconhecidos que façam parte do seu público.

Perguntas para fazer na conversa

Pergunta sobre o passado vale mais que pergunta sobre o futuro. Dizer “eu compraria” não custa nada. Contar o que a pessoa já fez para resolver o problema mostra se ele dói de verdade.

  • “Como você resolve isso hoje?”
  • “Qual foi a última vez que isso te atrapalhou?”
  • “Você já procurou ajuda, vídeo, curso ou livro sobre isso? O que achou?”
  • “Já pagou por alguma coisa para resolver? Quanto?”
  • “Se existisse um e-book sobre isso, o que ele precisaria ter para você ler até o fim?”

Exemplo de mensagem para abrir a conversa: “Oi, Marta! Estou pesquisando como o pessoal organiza as marmitas da semana. Posso te fazer umas perguntas rápidas? Leva uns 10 minutos.”

Cuidado: não defenda a sua ideia durante a conversa. Se a pessoa disser que não compraria, pergunte por quê e anote. Essa resposta vale mais que dez elogios.

Como ler as respostas

Antes da primeira conversa, defina o seu critério de aprovação, para não torcer o resultado depois. Exemplo: seguir em frente se pelo menos 6 das 10 pessoas contarem que já tentaram resolver o problema e 3 aceitarem receber a amostra. Os números são só um exemplo; ajuste ao seu caso.

Sinais bons: a pessoa conta uma história detalhada, já gastou tempo ou dinheiro com o assunto e pergunta quando fica pronto. Sinais fracos: respostas como “legal, boa ideia” e mais nada.

O pedido da amostra é o seu teste de compromisso. Quem diz “pode mandar” e passa o contato mostra mais interesse que quem só elogia. Se ninguém quiser nem a amostra grátis, dificilmente vai pagar pelo e-book.

O que fazer se o teste não der certo

Resultado ruim não é fracasso. Você gastou alguns dias em vez de semanas. Veja o que ajustar:

  • Ninguém tem o problema: troque o tema e refaça a lista de 10 pessoas.
  • Têm o problema, mas não querem e-book: talvez prefiram vídeo ou planilha. Pergunte em que formato gostariam de receber a ajuda.
  • Gostam, mas acham caro ou sem novidade: estreite o assunto. “Cardápios de marmita para quem ganha pouco” pode funcionar melhor que “alimentação saudável”.
  • Não consegue 10 pessoas: comece com 5 e peça a cada uma que indique mais alguém.

Seu próximo passo

Hoje, escreva em uma frase a ideia do e-book e liste 10 nomes no caderno. Mande a primeira mensagem para uma dessas pessoas ainda hoje. Amanhã, a segunda.

Quando a ideia passar no teste, pense em como vender. O curso Primeira Assinatura em 24H, do Caio Martins ensina o modelo de assinatura: o cliente paga todo mês, em vez de uma venda única (link de afiliado).