Você tem uma ideia de app para dentistas e sabe programar com ajuda de IA. O risco não é conseguir construir. É passar meses nisso e descobrir que ninguém quer pagar.
A resposta curta: antes de escrever uma linha de código, converse com cinco pessoas do seu público, publique uma página que descreve o app, conte quantas deixam o contato e teste um preço. Se pouca gente se interessar, você para barato.
Este caminho serve a quem já vende serviço e consegue falar com o público da ideia. Se você não conhece nenhum dentista, comece por aí: peça indicação ao seu próprio dentista ou a um cliente.
A pergunta antes do código
Responda por escrito, em três linhas: qual problema, de quem, e quanto custa não resolvê-lo hoje. “Custa” pode ser tempo, cliente perdido ou dinheiro. Exemplo: o consultório perde consultas porque ninguém confirma o horário e a recepcionista gasta uma hora por dia ligando.
Se você não consegue escrever o custo de não resolver, ainda não existe motivo para pagar. Quem paga é quem sente a dor, e dor sem custo costuma virar “legal, mas não preciso”.
Se ainda tem dúvida sobre o nicho (o público específico em que você vai focar), a Fórmula Negócio Online, do Alex Vargas, ensina a escolher a área de atuação. Ela também mostra como montar um funil (o caminho de quem conhece você até quem compra) com site e ferramenta gratuita e como escrever copy (texto de venda). (link de afiliado)
Como validar em 5 passos
Antes do passo 1, escreva seus critérios de seguir e de parar. Os exemplos estão na próxima seção.
- Entreviste 5 pessoas do seu público. Pergunte como resolvem o problema hoje, quanto tempo gastam e o que já tentaram. Não apresente o app ainda: quem ouve a ideia tende a elogiar para ser educado.
- Descreva a solução em uma página. O Google Formulários, gratuito, pode ser essa página: título com o problema, três benefícios em texto curto e perguntas de nome e contato.
- Peça o pré-cadastro. Pré-cadastro é a pessoa deixar nome e WhatsApp ou e-mail para ser avisada. Mande o link às cinco pessoas e a outras do público, uma a uma, sem disparo em massa.
- Simule o fluxo em protótipo. Protótipo é um desenho das telas, sem programação, como a maquete de uma casa. Mostre a quem se cadastrou e peça que a pessoa diga em voz alta o que tocaria primeiro. No fim, diga um preço de teste e pergunte se ela pagaria.
- Decida pelos critérios que você escreveu antes. Se bateu, siga para a versão mínima (o app só com a função principal). Se não, pare ou mude o problema.

Cuidado: WhatsApp e e-mail de alguém são dados pessoais. Na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o consentimento precisa ter finalidade determinada, e autorização genérica é nula.
A lei lista o que a pessoa tem direito de saber: finalidade, forma e duração do uso, quem coleta e como contatar, uso compartilhado, responsabilidades e direitos dela. O texto está no site do Planalto (arts. 8º, 9º e 18).
Modelo de aviso para adaptar: “Usarei seu contato só para avisar sobre este app e apagarei os dados quando o teste acabar. Quem coleta: [seu nome], [seu e-mail]. Os dados ficam no Google Formulários e não são repassados a mais ninguém. Para acessar, corrigir ou excluir seus dados, escreva para esse e-mail.”
Ponha o aviso na Descrição de uma última pergunta, do tipo Caixas de seleção, com a opção “Aceito” e marcada como Obrigatória. Em dúvida, consulte um advogado.
Antes de divulgar, teste o formulário. Na opção Limitar a 1 resposta, a ajuda do Google avisa que a pessoa precisa entrar na Conta do Google, então deixe essa opção desligada. Depois, abra o link numa guia anônima e veja se consegue responder sem login.
O formulário publicado tem a opção Definir data de encerramento ou limite de respostas, útil para fechar o teste no prazo. A central informa até 500 mil respostas por formulário, muito acima do que este teste precisa. Limites mudam: confira na central de ajuda do Google Formulários.
Sinais para seguir e para parar
Escreva os critérios antes de começar, porque depois do teste a vontade de ver sucesso muda a régua. Os abaixo são exemplos; ajuste ao seu caso.
- Seguir: pelo menos 3 das 5 pessoas descrevem o problema sem você induzir e já tentaram resolvê-lo.
- Seguir: parte dos pré-cadastros vem de gente que você não conhece pessoalmente.
- Seguir: ao ouvir o preço de teste, alguém diz que pagaria e pede para ser avisado.
- Parar: as pessoas elogiam, mas ninguém deixa contato.
- Parar: o problema existe, mas se resolve com planilha e ninguém quer trocar.
- Parar: todo mundo some quando ouve o preço.
- Parar: você precisou insistir para cada resposta.
Exemplo de meta: 6 pré-cadastros entre 30 pessoas que receberam o link, ou 1 em cada 5, em duas semanas. O formulário conta as respostas, e os envios você anota. Os números são seus: defina o que significaria interesse para você.
Onde a IA ajuda e onde não
A IA acelera o rascunho do texto da página, as telas do protótipo e a lista de perguntas da entrevista. Ela também ajuda a resumir o que as pessoas disseram, se você colar suas anotações.
Atenção: a IA não decide se há demanda, porque responde com texto convincente a qualquer ideia. Quem decide é gente real: deixar contato mostra interesse, e aceitar um preço mostra mais.
Quer levar gente à sua página com vídeos curtos, sem aparecer? A IA Academy, do Igor Henrique, ensina a criar conteúdo em vídeo com IA em oito formatos, cada um com o seu prompt (o comando que você escreve para a IA). A página do curso diz que ele é para quem não quer aparecer. (link de afiliado)
Seu próximo passo
Esta semana, marque cinco conversas. Faça a lista de nomes e escreva o critério de parada antes da primeira. Depois, mande uma mensagem como esta:
“Oi, [nome]. Estou estudando como os consultórios organizam o dia a dia. Posso te fazer umas perguntas em 15 minutos? É só uma conversa, não vou oferecer nada.”
