Teste de loja sem estoque com R$ 600: um caso prático

Teste de loja sem estoque com R$ 600: um caso prático

Você quer abrir uma loja sem estoque, mas tem pouco dinheiro guardado e medo de perdê-lo em anúncios que não vendem. A saída é testar pequeno, com um limite de gasto definido antes de começar.

Vamos acompanhar o Bruno, uma pessoa fictícia criada para este exemplo. Todos os números abaixo também são de exemplo: servem para você ver a lógica e refazer a conta com os seus valores.

Loja sem estoque, ou dropshipping, é a loja em que você não guarda o produto. O cliente compra de você, e o fornecedor envia direto para ele.

Quem é o Bruno e o limite de gasto

Bruno tem 32 anos, trabalha em um escritório e tem uma hora livre por dia. Ele separou R$ 600 para o teste. É o dinheiro da pizza, nunca o do aluguel: se tudo der errado, a vida segue.

Antes de abrir a loja, ele dividiu o valor e anotou numa planilha:

  • R$ 500 para anúncios (o teto, que não sobe);
  • R$ 100 para o resto: a loja, o domínio (o endereço do site) e uma unidade do produto comprada por ele mesmo, para ver como chega.

Para quem vende com fornecedor nacional, o ABC do Drop, do Rafael Lima, ensina a montar uma loja de dropshipping com fornecedores brasileiros que cuidam do envio. O curso traz também uma planilha de controle financeiro, para organizar essas contas desde o início (link de afiliado).

Como ele escolheu o produto e o fornecedor

Bruno escolheu uma luminária de mesa de LED, um produto leve, que não quebra fácil e que ele mesmo usaria. Depois comparou fornecedores brasileiros por três critérios:

  1. Prazo de entrega: quantos dias úteis o produto leva para chegar ao cliente.
  2. Política de troca: quem paga o frete de volta e em quanto tempo o fornecedor aceita o produto devolvido.
  3. Preço: o custo do produto e do frete que o fornecedor cobra, para saber se sobra margem.

Ele ficou com o fornecedor que respondeu às perguntas por escrito, antes de ele pagar qualquer coisa. Fornecedor que não explica a troca antes da venda não vai explicar depois.

O que deu errado na primeira semana

A unidade de amostra chegou em 9 dias úteis. Só que a página da loja dizia apenas “entrega rápida”, sem número.

Homem abre a caixa de papelão e confere uma luminária de mesa de LED recebida como amostra, sobre uma mesa de madeira.

Na primeira semana, um cliente escreveu perguntando onde estava o pedido e pediu para cancelar. Pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 49), quem compra fora da loja física, como na internet, pode desistir em até 7 dias a contar do recebimento do produto. Os valores pagos são devolvidos de imediato.

Bruno cancelou o pedido com o fornecedor antes do envio e devolveu o dinheiro na hora. Assim não perdeu o custo do produto, mas o anúncio daquela venda foi perdido.

A correção foi simples: ele colocou na página o prazo real, de 8 a 12 dias úteis (prazo de exemplo), e escreveu a política de troca. Quem vê o prazo antes de comprar não se assusta com a demora.

Cuidado: nunca escreva um prazo de entrega que você não conferiu com o fornecedor e com a sua própria amostra. Prazo inventado vira reclamação e reembolso.

A conta do teste

Bruno vende a luminária por R$ 89,90. Veja o que sobra em cada venda (valores de exemplo):

Item Valor
Preço de venda R$ 89,90
Custo do produto R$ 42,00
Frete cobrado pelo fornecedor R$ 14,00
Taxa do pagamento (5%, exemplo) R$ 4,50
Sobra por venda R$ 29,40

A conta é: 89,90 menos 42,00, menos 14,00, menos 4,50 dá R$ 29,40. Essa margem (o que sobra de cada venda) é cerca de 33% do preço, neste exemplo. A taxa real depende de quem processa o seu pagamento, então confira a sua.

Esse R$ 29,40 é o número mais importante do teste. Se cada venda custar mais que isso em anúncio, você perde dinheiro a cada pedido. Com R$ 500 de anúncios, Bruno precisaria de 18 vendas só para cobrir o gasto em anúncios: 17 vezes 29,40 dá R$ 499,80, ainda abaixo de R$ 500.

Quando ele decidiu parar ou seguir

Antes de gastar o primeiro real em anúncio, Bruno escreveu a regra:

  1. Gastar no máximo R$ 500 em anúncios.
  2. Ao chegar em R$ 250, calcular o custo por venda (anúncio gasto dividido pelas vendas).
  3. Se estiver acima de R$ 29,40, mudar uma coisa só (página, preço ou foto) e seguir até os R$ 500.
  4. Ao chegar em R$ 500, se o custo por venda continuar acima de R$ 29,40, parar.
  5. Se ficar abaixo de R$ 29,40, seguir com um novo teto, de novo definido antes.

Na metade, ele tinha 6 vendas entregues, sem contar a cancelada: R$ 250 divididos por 6 dá R$ 41,67 por venda. Acima do limite, então ele mudou a página, com o prazo claro e fotos melhores. Na segunda metade vieram 8 vendas, num total de 14.

O custo por venda final foi R$ 500 divididos por 14, ou R$ 35,71. Ainda acima de R$ 29,40. As 14 vendas deram 14 vezes R$ 29,40, ou R$ 411,60 de sobra. Tirando os R$ 600 gastos, o resultado foi de menos R$ 188,40.

Bruno parou, como a regra mandava. Perdeu menos do que o teto de R$ 600 e ficou sabendo que aquele produto, com aquele preço, não pagava o anúncio.

Atenção: estes números são um exemplo inventado. Seu produto, seu fornecedor, sua taxa e seu custo por venda serão outros. Refaça a tabela com os seus valores antes de gastar.

Seu próximo passo

Hoje, abra uma planilha ou um caderno e escreva três linhas: o valor máximo que você aceita perder, quanto vai em anúncio e qual custo por venda faz você parar. Só depois escolha o produto.

Mais adiante, você pode querer conhecer a venda para clientes de fora do Brasil. O Método Euro Drop, do Rapha Mancini, ensina em cinco fases desde criar a loja até escolher produtos, fazer criativos (fotos e vídeos) e divulgar, em videoaulas com acesso vitalício. Vender para outro país tem regras de importação e impostos que você precisa conferir antes (link de afiliado).