Você pediu para a IA escrever dez legendas, colou tudo num arquivo e mandou para o cliente. No dia seguinte, ele responde: “essa frase não é verdade” ou “isso aqui parece igual ao post de outra loja”.
O problema raramente é a ferramenta. É o que ficou de fora entre o texto gerado e a entrega: revisão, cuidado com direitos e uma conversa honesta sobre o que você está vendendo.
Abaixo estão sete erros comuns de quem oferece legenda, texto ou arte feitos com IA, e o que fazer no lugar. Este caminho serve para quem vai revisar de verdade. Se a ideia é só copiar e colar, o cliente percebe rápido.
Erros de revisão: entregar o rascunho como se fosse o trabalho pronto
Erro 1: não revisar o que a IA escreveu
A IA escreve rápido e com segurança, mesmo quando erra. Os próprios termos de uso da OpenAI, dona do ChatGPT, mandam o usuário avaliar se a resposta está certa e serve para o seu caso. Eles pedem revisão humana quando couber, antes de usar ou compartilhar o texto.
No lugar, leia o texto em voz alta, troque o que não soa como o cliente falaria e corte o que é genérico. Se uma frase serviria para qualquer loja, ela não serve para a loja do seu cliente.

Erro 2: confiar nos fatos que a IA inventa
Horário de funcionamento, preço, ingrediente, prazo de entrega, nome de produto: a IA pode errar ou inventar qualquer um deles. Quem assina a entrega é você, não a ferramenta.
- Peça ao cliente uma lista dos dados fixos (preços, endereço, horários, nomes).
- Confira cada número e cada nome do texto contra essa lista.
- Apague qualquer afirmação que o cliente não confirmou.
Quem faz legenda e texto para redes sociais pode aprofundar a escrita de vendas em videoaula. O curso Fórmula Negócio Online, do Alex Vargas, tem um módulo de marketing de conteúdo e, segundo a página dele, um bônus de copywriting (a escrita que convence). Serve para escrever melhor o que você revisa. (link de afiliado)
Erros de direitos: achar que “feito por IA” resolve a questão autoral
Erro 3: prometer exclusividade e propriedade total
Os termos da OpenAI dizem que, entre você e a empresa, a resposta é sua, na medida em que a lei permitir. Os mesmos termos avisam que o resultado pode não ser único e que outras pessoas podem receber respostas parecidas.
Na lei brasileira, a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998) define autor como a pessoa física que cria a obra. A lei não traz regra específica para obra gerada por IA. O projeto que regula a IA no país (PL 2338/2023) já passou pelo Senado e tramita na Câmara; confira a situação atual no site da Câmara dos Deputados.
O direito autoral é um dos pontos ainda em discussão nesse projeto. A situação atualizada fica na página de tramitação do PL 2338/2023 na Câmara.
No lugar, não escreva “arte exclusiva e protegida por direitos autorais” no contrato. Diga o que é verdade: “texto criado com apoio de IA, revisado e adaptado por mim, para uso do cliente”.
Atenção: não é aconselhamento jurídico, e essa regra pode mudar. Para um projeto grande, como a marca inteira de uma empresa, consulte um advogado antes de prometer exclusividade.
Erro 4: ignorar as regras de uso da ferramenta
Cada ferramenta tem regras. A central de ajuda do Canva, por exemplo, diz que trabalhos feitos com o Estúdio Mágico servem para fins pessoais e comerciais. Vale desde que você siga os Termos de Uso de Produtos com IA.
A mesma página também pede para não citar marcas, personagens ou pessoas conhecidas nos comandos (o pedido que você digita para a IA) sem autorização. E só permite editar com IA uma foto cujos direitos de uso você tenha.
No lugar, antes de vender, abra a política de uso da ferramenta que você usa e confira se uso comercial é permitido no seu plano. Regra de ferramenta muda, então releia de vez em quando.
Erros de honestidade: o que o cliente precisa saber
Erro 5: esconder que usou IA
Na prática, muito cliente aceita bem o uso de IA, desde que saiba. Descobrir depois, por conta própria, gera desconfiança, e o cliente pode se sentir enganado sobre o que pagou.
No lugar, diga logo na proposta: “uso IA para acelerar o rascunho; eu reviso, ajusto ao seu jeito e confiro os dados”. Quem explica o processo cobra pelo que importa, que é o resultado revisado.
Erro 6: prometer resultado de vendas ou seguidores
Legenda bonita não garante venda, e arte bonita não garante alcance. Prometer isso é arriscar a reclamação e a devolução do pagamento.
No lugar, prometa só o que está nas suas mãos: número de peças, prazo de entrega e quantas rodadas de ajuste estão incluídas.
Erro 7: não deixar nada combinado por escrito
Sem combinado, o cliente pede “só mais uma versão” dez vezes, e a dúvida sobre quem pode usar o quê aparece só quando já é tarde. Deixar o uso permitido por escrito evita essa briga.
No lugar, mande uma mensagem de WhatsApp com as condições e peça um “combinado” como resposta. A mensagem precisa dizer:
- O que você entrega: por exemplo, 12 legendas para o Instagram da loja.
- O prazo de entrega de cada lote.
- Quantas rodadas de ajuste estão incluídas, como duas por lote.
- Que o texto é feito com apoio de IA e revisado por você.
- Onde o cliente pode usar o material: perfil da loja, site, anúncios.
Checklist antes de enviar a entrega
- Li o texto inteiro em voz alta e troquei as frases genéricas.
- Conferi preços, horários, nomes e prazos com a lista do cliente.
- Não usei marca, personagem ou pessoa conhecida nos comandos.
- Confirmei que a ferramenta permite uso comercial no meu plano.
- Avisei o cliente que usei IA e que revisei.
- Deixei por escrito o uso permitido, o prazo e as rodadas de ajuste.
Dica: guarde a conversa de combinado. Ela vale como prova do que foi prometido, dos dois lados.
Seu próximo passo
Hoje, escreva a mensagem de combinado que você enviaria a um cliente novo, seguindo os cinco itens do erro 7. Salve no bloco de notas do celular e use como modelo na primeira proposta.
Para ir além das legendas, a IA Academy, do Igor Henrique, ensina a usar IA para criar conteúdo em vídeo, e a página do curso diz que ela atende quem não quer aparecer. (link de afiliado)
