Você terminou o e-book e agora trava na hora de colocá-lo à venda. Medo de erro de português, medo de o título prometer mais do que o conteúdo entrega.
Ler tudo de novo “procurando erro” não funciona: o olho corrige sozinho o texto que a gente mesmo escreveu. O que funciona é revisar por camadas, uma de cada vez, com uma lista na mão.
Abaixo estão quatro camadas: promessa, texto, arquivo e direitos. Marque cada item no papel ou nas notas do celular. Serve para quem está lançando o primeiro e-book; não serve para quem ainda não terminou de escrever.
Promessa e conteúdo: o título cumpre o que diz?
Comece pelo que o comprador vai ler antes de tudo: o título e a descrição. Depois confira se o conteúdo entrega isso. Faça a revisão nesta ordem:
- Escreva numa frase o que a pessoa consegue fazer depois de ler. Se a frase não cabe numa linha, a promessa está confusa.
- Releia o título e a descrição e procure palavras que prometem resultado (“garantido”, “em poucos dias”, “ganhe”). Troque por aquilo que o e-book ensina de fato.
- Passe pelo sumário e pergunte, capítulo a capítulo: “isso ajuda a cumprir a promessa?”. O capítulo que não ajuda sai ou vira anexo.
- Veja se o seu leitor consegue fazer cada passo só com o que o e-book explica. Se falta uma etapa, inclua.
- Confira os exemplos e as contas. Refaça cada uma na calculadora do celular e marque como “exemplo” o que não for caso real.
Atenção: não escreva no e-book nem na descrição que o leitor vai ganhar determinado valor. Você não controla o resultado dele, e promessa que o material não entrega abre caminho para cliente frustrado e pedido de reembolso.
Uma promessa clara também serve para o seu próximo produto. Depois do e-book, talvez você queira vender algo que o cliente paga todo mês, em vez de uma venda única. O Primeira Assinatura em 24H, do Caio Martins, ensina esse modelo. Ensina também a montar um Micro SaaS (uma plataforma de assinatura) com inteligência artificial, sem código e sem programador (link de afiliado).
Texto e organização: português, sumário e parágrafos
Agora a camada do texto. Aqui o truque é mudar a forma de ler, para o olho não corrigir por conta própria.
- Deixe o e-book descansar de um dia para o outro antes de revisar.
- Leia em voz alta. Onde você tropeçar, a frase está comprida ou mal pontuada.
- Passe o texto pelo corretor do Word ou do Google Docs. Ele aponta erros de ortografia e gramática, mas não pega tudo: confira também concordância e crase.
- Procure palavras repetidas e frases com mais de duas linhas no celular. Divida em duas.
- Explique todo termo técnico na primeira vez que aparecer, entre parênteses.
- Confira se o sumário bate com os títulos dos capítulos, na mesma ordem e com o mesmo nome.
- Padronize: mesma fonte nos títulos, mesmo tamanho de letra no corpo, mesmo estilo de lista.
Parágrafos de uma a três frases cansam menos quem lê no celular. Um bloco grande de texto vira um muro, e a pessoa desiste.
Arquivo e leitura no celular
Na prática, muita gente compra e lê no celular, então teste o PDF nele. Não basta abrir no computador onde você escreveu.
- Envie o PDF para o seu celular, por WhatsApp ou e-mail, e abra o arquivo ali.
- Role do começo ao fim. Se precisar dar zoom para ler, aumente a letra ou use uma página menor e gere o PDF de novo.
- Toque nos itens do sumário e nos links. Cada um deve levar ao lugar certo.
- Confira se as imagens aparecem nítidas e se nenhuma tabela ficou cortada.
- Veja o tamanho do arquivo. Se demorar para abrir num celular simples, diminua as imagens antes de gerar o PDF.
- Dê ao arquivo um nome claro, como o título do e-book. Depois abra uma última vez o arquivo final, não o rascunho.

Direitos e referências: imagens e textos de terceiros
A Lei nº 9.610/1998, a Lei de Direitos Autorais, exige autorização prévia e expressa do autor para usar uma obra, inclusive em reprodução parcial ou integral.
Na prática, o que você achou na internet costuma ter dono. Estar espalhada por aí não libera uma imagem: o Guia de Direitos Autorais do Senado diz que isso não dispensa a autorização de uso.
- Liste todas as imagens, gráficos e textos que não são seus e anote de onde vieram.
- Use só o que você criou, o que tem autorização por escrito ou o que a licença de um banco de imagens (site que reúne fotos para uso, grátis ou pago) permite para uso comercial.
- No banco de imagens, leia os termos da licença. Veja se é preciso dar crédito e se você pode modificar a imagem.
- Na foto de uma pessoa, há dois direitos: o de quem fotografou e o de quem aparece. A autorização precisa cobrir os dois.
- Para citar um trecho de outro autor, use o mínimo necessário e indique o nome do autor e a origem. A lei permite a citação para estudo, crítica ou polêmica, “na medida justificada para o fim a atingir”.
- Ideia não é protegida como direito autoral, mas o texto de quem a escreveu é. Explique com as suas palavras o que aprendeu. Copiar e trocar uma palavra não resolve.
Atenção: nenhum tamanho de trecho é liberado automaticamente, e o guia do Senado lembra que a lei não define o que é pequeno trecho. Na dúvida, tire o trecho ou peça autorização por escrito.
Este texto é uma orientação geral, não parecer jurídico. Se o seu e-book usa muito material de terceiros, consulte um advogado.
Seu próximo passo
Não faça a última revisão sem ajuda. Escolha hoje uma pessoa de confiança que se pareça com o seu leitor e peça que ela abra o PDF no celular dela.
Entregue duas perguntas: “o que você acha que vai aprender aqui?” e “onde você travou?”. Se a resposta à primeira não for a sua promessa, ajuste o título. Onde a pessoa travou, reescreva.
Combine um prazo curto, como o fim de semana, e corrija o que ela apontar. Só depois suba o arquivo para a plataforma de vendas.
