Uma marca mandou mensagem, você ficou feliz e, com medo de espantar, respondeu: “pode ser de graça, só pelo produto”. Depois vieram o roteiro, a gravação, a edição e três pedidos de ajuste. A conta nunca fechou.
Quase sempre o problema não é o preço em si, é o jeito de chegar nele. Publi (publicidade paga feita no seu perfil) se cobra pelo trabalho e pelo uso da sua imagem, não por uma tabela de seguidores.
A base da conta cabe numa linha: horas de trabalho × valor da sua hora + uso da imagem. Abaixo estão seis erros que desmontam essa conta, o que fazer no lugar e um exemplo com os números.
Erros 1 e 2: cobrar só por seguidores ou não cobrar
Erro 1: usar o número de seguidores como único critério. Acontece porque é a conta mais fácil: “tenho tantos mil, então peço tanto”. Só que a marca não compra seguidor. Ela compra um vídeo feito, publicado e com a sua credibilidade.
No lugar, comece pelo que você vai entregar: quantos vídeos ou stories, em que formato e por quanto tempo no ar. Depois some as horas e o uso da imagem. Os seguidores entram como ajuste, não como base.
Erro 2: não cobrar por medo de afastar a marca. Acontece quando a publi vira “troca por produto” sem ninguém ter feito a conta. Se for aceitar só o produto, compare o valor dele com as horas que você vai gastar. Se o produto vale menos que o seu tempo, você está pagando para trabalhar.
Dica: responda ao primeiro contato com “vou montar uma proposta com o que você precisa”. Assim você ganha tempo para calcular, em vez de dar um preço no susto.
Erros 3 e 4: esquecer o tempo de produção e o uso da imagem
O que não aparece no vídeo pronto parece não existir. O preço precisa cobrir o que você fez antes de postar e o que a marca vai fazer depois com o material.
Quase toda proposta pede vídeo, e gravar e editar é o que mais toma horas. Para produzir mais rápido com IA, a IA Academy, do Igor Henrique, ensina oito formatos de vídeo com IA. Cada formato vem com o seu prompt (o comando que você escreve para a IA), e a garantia é de 7 dias. (link de afiliado)
Erro 3: não contar o tempo de produção. Entra no preço:
- conversa e briefing (o resumo do que a marca quer);
- roteiro e preparação do cenário;
- gravação, com as repetições;
- edição;
- postagem e resposta aos comentários;
- revisões combinadas.
Erro 4: não cobrar pelo uso da imagem. Postar no seu perfil é uma coisa. Se a marca quer usar o vídeo no site dela, em anúncio pago ou em outro perfil, ela está alugando o seu rosto e a sua voz, e isso tem preço à parte.
Defina três pontos: por quanto tempo, em quais canais e se há exclusividade (você não poder divulgar concorrentes naquele período). Quanto mais tempo e mais canais, maior o valor.
Erros 5 e 6: não pôr nada por escrito e aceitar mudança de escopo
Erro 5: fechar só por conversa. Acontece porque pedir contrato parece frescura. No lugar, mande por mensagem ou e-mail um resumo do combinado e peça que a marca responda “de acordo”. O resumo traz:
- o que será entregue e em que data;
- valor, forma e data de pagamento;
- número de revisões incluídas;
- tempo e canais do uso da imagem;
- como a publi será identificada no post.
Erro 6: aceitar mudança de escopo (o combinado que vai crescendo). Começa com “só mais um story” e termina em três vídeos pelo preço de um. Se o pedido não estava no resumo, ele tem preço novo. Diga isso com calma e sem pedir desculpa.
Cuidado: não comece a gravar antes de a marca responder “de acordo” ao resumo. Se ela foge de confirmar por escrito, trate isso como sinal de alerta.
A identificação também é parte do trabalho. O Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do CONAR pede que a publi seja reconhecível já na primeira visualização do post, sem depender de abrir a legenda ou a bio. A ferramenta de parceria paga da plataforma é a preferida, junto com expressões como #publi ou #publicidade.
Se você é MEI (microempreendedor individual), a nota de serviço sai pelo emissor nacional da NFS-e, gratuito, no site ou no aplicativo NFS-e Mobile, com login na conta gov.br nível prata ou ouro. Para serviço prestado a empresa, a nota é obrigatória para o MEI.
Uma conta de exemplo para calcular seu preço
Exemplo, com pessoa e números inventados. Primeiro, o valor da hora: a Patrícia quer ganhar R$ 1.600 por mês com publis e tem 40 horas por mês para isso. Então: R$ 1.600 ÷ 40 = R$ 40 por hora.
Agora o trabalho: um vídeo e três stories para uma marca de cosméticos. As horas dela:
- briefing: 1 hora;
- roteiro: 1 hora;
- gravação: 2 horas;
- edição: 3 horas;
- postagem e respostas: 1 hora.
Total: 8 horas. Então: 8 × R$ 40 = R$ 320 pelo trabalho.

A marca também quer usar o vídeo em anúncio por 30 dias. Neste exemplo, a Patrícia cobra 50% do valor do trabalho por esse uso: 50% de R$ 320 = R$ 160. A porcentagem é só exemplo, você escolhe a sua.
Preço final do exemplo: R$ 320 + R$ 160 = R$ 480, com uma revisão incluída. Se a marca pedir uma segunda, a Patrícia cobra as horas a mais: 2 horas × R$ 40 = R$ 80.
Seu próximo passo
Pegue o último trabalho que você fez para uma marca, mesmo o de graça. Anote hoje, numa nota do celular, as horas de cada etapa da lista de produção e multiplique pelo valor da sua hora.
Some o uso da imagem, se houve, e guarde esse número. Ele é a base da sua próxima proposta.
