Venda de e-book: 5 mitos sobre plataforma, preço e direito autoral

Venda de e-book: 5 mitos sobre plataforma, preço e direito autoral

Você terminou o primeiro e-book, ou está quase lá. Aí começam as dúvidas: precisa abrir empresa? Posso copiar aquele trecho que ficou ótimo? A plataforma vai mostrar o livro para alguém?

Muita coisa que circula em grupo e em vídeo é meia verdade. A resposta curta: dá para começar só com CPF, copiar trecho alheio quase sempre é proibido e quem divulga o livro é você.

A seguir, os cinco mitos e o que vale de fato, com foco no direito autoral, que é onde o erro sai mais caro.

Mito: preciso de CNPJ para vender e-book

Não necessariamente. Na Kiwify, a central de ajuda lista dois requisitos: ter CPF ou CNPJ brasileiro e uma conta bancária (corrente ou poupança) no mesmo CPF ou CNPJ. O CNPJ é o registro de empresa, e lá ele é opcional.

A idade mínima para se cadastrar é de 18 anos. Cada plataforma tem a sua regra, então leia a central de ajuda da que você escolher. Na Kiwify, o caminho é este:

  1. No cadastro, escolha se vai receber por CPF ou por CNPJ.
  2. Preencha os dados pessoais (ou os da empresa).
  3. Use uma conta bancária no mesmo CPF (ou CNPJ) do cadastro.
  4. Depois da primeira venda, chega um e-mail pedindo a verificação de identidade: documento (RG ou CNH) e selfie. Sem ela, o saque não é liberado.
Mulher cadastrando-se numa plataforma de vendas pelo celular, escolhendo receber por CPF ou CNPJ

Atenção: na Kiwify, a conta cadastrada como CNPJ não volta a ser só CPF, e o saldo de uma não passa para a outra. Pense bem antes de escolher.

Pensa num produto que o cliente paga todo mês, além do e-book de venda única? O Primeira Assinatura em 24H, do Caio Martins, ensina o modelo de assinatura e como criar uma plataforma de assinatura com IA, sem programar. O autor é o fundador da Cakto, uma plataforma de pagamentos (link de afiliado).

Mito: posso copiar trechos de outros livros

Aqui o erro é sério. Pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998), usar uma obra depende de autorização prévia e expressa do autor (art. 29).

Existem exceções, mas elas são estreitas. A citação de passagens para estudo, crítica ou polêmica é permitida na medida justificada para o fim a atingir, com o nome do autor e a origem da obra (art. 46, III).

Reproduzir pequenos trechos em outra obra também é permitido, com três condições (art. 46, VIII):

  • a reprodução não pode ser o objetivo principal do seu livro;
  • não pode prejudicar a exploração normal da obra original;
  • não pode causar prejuízo injustificado ao autor.

Um e-book feito de trechos copiados não passa nesse teste. Copiar de e-book pirata ou de “pacote de PLR” (texto vendido com licença de revenda) sem conferir a licença também não.

O que você pode fazer sem pedir licença

  • Usar ideias, métodos e conceitos: a lei diz que ideias, sistemas e métodos, como tais, não são protegidos (art. 8º). Você pode ensinar o mesmo assunto com as suas palavras.
  • Citar uma frase curta com autor e obra, para apoiar o que você explica.
  • Usar textos de leis e decisões judiciais, que também não são protegidos (art. 8º).

Cuidado: os direitos patrimoniais do autor duram setenta anos, contados de 1º de janeiro do ano seguinte ao da morte dele (art. 41). Livro “antigo” nem sempre está livre.

Mito: preço baixo vende mais

Preço baixo pode facilitar a primeira compra, mas não garante mais dinheiro. A taxa fixa por venda pesa muito mais num livro barato.

Exemplo com a taxa que a Hotmart informa na página inicial, de 9,9% + R$ 2,49 por venda:

  • E-book de R$ 9,90: a taxa é R$ 3,47 e sobram R$ 6,43. Com 40 vendas, ficam R$ 257,20.
  • E-book de R$ 39,90: a taxa é R$ 6,44 e sobram R$ 33,46. Com 10 vendas, ficam R$ 334,60.

Ou seja, o livro mais caro rende mais com um quarto das vendas. Defina o preço pelo problema que o livro resolve e teste mudanças aos poucos. As taxas mudam: confira o valor atual na página de preços da plataforma.

Mito: a plataforma divulga o meu e-book

A plataforma cuida da página de venda, do pagamento e da entrega. A Hotmart, por exemplo, se apresenta como lugar para criar, hospedar e vender. Quem leva gente até a página é você.

O que ela oferece é uma ferramenta para dividir esse trabalho: os afiliados, pessoas que divulgam o seu produto por um link único e ganham uma comissão por venda aprovada. Na Kiwify, você liga isso assim:

  1. Abra a tela de editar o produto.
  2. Toque na aba Afiliados.
  3. Habilite o programa de afiliados.

A aprovação de quem pede para se afiliar pode ser automática ou manual, conforme você configurar.

Para atrair os primeiros leitores por conta própria, o Fórmula Negócio Online, do Alex Vargas, ensina marketing de conteúdo, Instagram, YouTube e funil, que servem para levar visitas à sua página (link de afiliado).

Mito: livro feito por IA não precisa de revisão

Precisa, e há regra. A Amazon KDP pede que você informe conteúdo gerado por IA (texto, imagens ou traduções) ao publicar um livro. Se a ferramenta criou o conteúdo, ele conta como gerado por IA mesmo que você edite muito depois.

Conteúdo assistido por IA não precisa ser informado: é quando você escreveu e usou a ferramenta para editar, corrigir ou gerar ideias.

A KDP também diz que você é responsável por conferir se o conteúdo, gerado ou assistido, segue as diretrizes e os direitos de propriedade intelectual. Se a IA reproduziu um trecho de outro autor, o problema é seu.

  • Leia o livro inteiro, em voz alta se puder.
  • Pesquise no Google frases que pareçam copiadas.
  • Confira nomes, datas, números e leis citados.

Seu próximo passo

Abra a central de ajuda da plataforma que você pretende usar e confira os requisitos de cadastro de produtor. Depois, releia o seu rascunho e marque todo trecho que não é seu.

Cada trecho marcado vira uma citação com autor e obra, ou é reescrito com as suas palavras.